Disputa entre Kan e Ozawa pode provocar racha no PD
Enviado em 2 de Setembro de 2010
Publicado por William/NB
A disputa pela presidência do Partido Democrático (PD) entre Naoto Kan e Ichiro Ozawa, pode vir a provocar um racha na legenda, levando o país a uma crise política.
Kan e Ozawa disputarão no dia 14 a presidência do PD. O vencedor pode ter o nome referendado pelo parlamento como primeiro-ministro.
Os analistas acreditam que, caso Ozawa saia derrotado, poderá haver um racha no PD, o que poderia provocar a criação de um novo partido. Se isso acontecer, o PD perderia a maioria no Parlamento levando o governo a convocar novas eleições ou tentar resolver o impasse via alianças.
Em caso de vitória, Ozawa teria de enfrentar sua baixa popularidade frente à população.
A decisão será tomada por 412 membros das câmaras Alta e Baixa do parlamento, por mais de 2.300 deputados provinciais e vereadores, e por 345 mil militantes do partido. Os 412 membros somam 824 votos. Os deputados provinciais e vereadores representam 100 votos e os 345 mil militantes, 300 votos.
Ozawa tem o apoio de 150 parlamentares de seu grupo somados a outros 60 do ex-primeiro-ministro, Yukio Hatoyama. Calcula-se que Kan terá votos de 120 parlamentares e grande parte dos votos dos 300 delegados.
Na semana passada, após oferecer respaldo público a Kan, o ex-primeiro-ministro Yukio Hatoyama trocou inesperadamente de posição e passou a apoiar Ozawa, mudando as expectativas em torno da eleição.
Ozawa reprovou Kan por sua indecisão ante a alta do iene, que põe em risco a recuperação econômica - ele apoiou uma intervenção no mercado de câmbio -, assim como o apoio público do primeiro-ministro à alta do Imposto sobre o Consumo, que pode ter tido influência direta na derrota do PD nas eleições parciais para a Câmara Alta que aconteceram em julho.
Kan acredita que a disputa pelo cargo de presidente do PD e de primeiro-ministro está cansando os eleitores, uma vez que o país teve quatro chefes de estado em cinco anos.
A economia japonesa cresceu 0,4% no último trimestre, quando passou do segundo para o terceiro lugar no ranking das economias mundiais.